Povo Guarani
Etnia Indígena Guarani

As sociedades indígenas são movidas pela poesia dos mitos que encantam e provocam os acontecimentos dos primeiros tempos, quando somente ela, a palavra, existia.

O termo “guarani” refere-se a uma das mais representativas etnias indígenas das Américas, tendo como territórios tradicionais uma ampla região da América do Sul que abrange a Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai. No território brasileiro, estão distribuídos nos Estados do Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Os indígenas Guarani de todos esses países possuem cultura milenar, baseada em sua ancestralidade histórica, política e organizativa: "ñanderekó, nanderekó, arandu" é sua visão de mundo, sua cosmologia, seu jeito de ser. Dotados de extrema espiritualidade, usufruem dela como sua autêntica religião, que séculos após séculos, o sistema político por um lado, e jesuítico por outro, tentou deflagrar, apesar das ditas boas intenções.

Povo "combativo e guerreiro", que, nas suas convicções culturais, detém conhecimentos ancestrais da mais elevada categoria, baseados na língua indígena, também chamada Guarani, preservada até os dias de hoje, após sofrer muitas pressões políticas, econômicas e étnico-culturais.

O Guarani tem como essência de vida, isto é, sua marca étnica, a grande prática do "caminhar" que significa em língua guarani "guata". O caminhar significa também evoluir e fortalecer-se espiritualmente. Essa prática do caminhar faz parte do movimento migratório dos guaranis desde o tempo da colonização. Esse caminhar constante é justificado pelo “yvý opa”, a busca da terra sem males, que pode ser definida como uma terra que os permita viver com dignidade, sem interferências paternalistas, enfim, um paraíso mítico de sua ascendência. Esse caminhar cobre uma grande extensão, que vai do norte da Argentina (no caso do sub-grupo Mbyá) e da Serra de Mbaracaju (no caso do sub-grupo Xiriá ou Nhandeva) até o litoral do Estado do Espírito Santo, passando por todos os Estados citados no início do texto.

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Criança da etnia Guarani Myba

A antiga e intensa política de ocupação do colonialismo dizimou a população indígena, porém, as populações desta etnia ainda mantêm fortes indícios de unidade lingüística e cultural, desenvolvendo sempre formas estratégicas relacionais diante das realidades nacionais com as quais são obrigadas a conviver.

Utilizam a agricultura de subsistência (mel do mato, palmito, banana, mandioca, milho e feijão) e a conservam de forma tradicional, assim como sua língua, religião, educação e organização social. Utilizam com muita ênfase a prática da medicina tradicional e a valorização dos cânticos e dos pajés. Produzem e vendem artesanato, cerâmicas, tecelagens e arcos e flechas para a caça e pesca.

Menos de 50% das terras Guarani estão demarcadas e asseguradas juridicamente e muitas delas estão ameaçadas pela sobreposição de Unidades de Conservação Ambiental em seu território, planejadas sem passar pela consulta dos Guarani. Apesar da baixa populacional (comparada ao momento do colonialismo) com exceção das áreas localizadas nos atuais países do Uruguai e no centro da Argentina, os Guarani seguem mantendo a configuração de seus territórios no período colonial. A despeito do processo de extermínio que sofreram, estas populações vêm se recuperando demograficamente, constituindo uma das minorias que invisibilizada nos diversos contextos em que se encontram, têm de lidar com o problema do aumento demográfico nos regimes de confinamento impostos pelos estados nacionais.

 
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Bruna Gamma
Da Redação
 
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