Povo Guarani
Localização do povo Guarani

Encontram-se na Argentina, Paraguai, Uruguai e no Brasil, onde estão localizados nos estados de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. No ano de 2003 eram seis mil no total, com a língua Guarani, da família Tupi – Guarani.

“En los siglos XVI y XVII, los españoles, a medida que avanzaban en sus viajes de exploración y en sus expediciones de conquista – y los misioneros en su ‘conquista espiritual’ – encontraron a los Guaraní formando conjuntos territoriales más o menos extensos, que llamaron ‘provincias’, reconocidas por sus nombres propios: Cario, Tobatin, Guarambaré, Itatín, Mbaracayú, gente del Guairá, del Paraná, del Uruguay, los del Tape... Estas provincias abarcaban un vasto territorio que iba de la costa atlântica al sur de São Vicente, en el Brasil, hasta la margen derecha del rio Paraguay, y desde el sur del río Paranapanema y del Gran Pantanal, o lago de los Jarayes, hasta las Islas del Delta junto a Buenos Aires” (Bartomeu Melià, 1991).

Nos séculos XVI e XVII, os colunistas classificavam “guaranis” como o grupo de mesma língua que se encontrava desde a costa atlântica até o Paraguai, ou seja, pequenas comunidades associadas pelo nome do rio às margens do qual habitavam, ou pelo nome de seu chefe político, compunham a “nação Guarani”.

”Essa nação dos guaranis fala uma linguagem que é entendida por todas as outras castas da província”. Cabeza de Vaca define a “povoados de índios guaranis” numa referência aos homens, guias indígenas durante expedição empreendida a partir de 1541 da Ilha de Santa Catarina até Assunção.

Após a chegada dos portugueses e espanhóis, o território ocupado pelos Guarani torna-se um lugar de disputas, com a principal finalidade de expandir seu próprio domínio. Os espanhóis tinham como interesse “ampliar” o território de seus aliados “guarani”, acontecendo o mesmo com os portugueses e seus aliados “carijó”, tendo classificações e divisões tribais segundo seus próprios interesses.
Com a junção dos povos da mesma língua, alguns povoados por possuir características de índios rebeldes e guerreiros, e outros pacíficos e submissos, os termos “guarani” e “carijó” foram empregados pelos cronistas e historiadores sem detalhar diferenças dialetais ou culturais.

Os grupos Guarani não se submeteram a pressão dos espanhóis nem às missões jesuíticas, refugiando-se nos montes e nas matas subtropicais da região do Guaíra paraguaio e dos Sete Povos, conhecidos com ka’aguygua, “habitantes das matas”.

Nos meados do século XX, os estudos etnográficos permitiram maior conhecimento sobre as linguísticas, religiões, políticas e sobre a cultura guarani. A localização dos grupos são critérios a avaliar nas classificações e subdivisões desse grupo indígena.

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Garota indígena da Aldeia Tenonde Porã, localizada na capital Paulista

No Paraguai, próximo a região oriental, os Kaiowa e os Ñandéva são conhecidos respectivamente por Pai Tavyterã e Ava-Xiripa. Outros grupos Guarani – Guajaki, Tapiete e os conhecidos por Guarayos e Chiriguano também são encontrados no Paraguai e Bolívia.

As aldeias Kaiowa / Pai Tavyterã concentram-se na região oriental do Paraguai e região sul do Mato Grosso do Sul. Outras famílias kaiowa vivem em aldeias próximas às Mbya no litoral do Espírito Santo e Rio de Janeiro.

No Brasil, vivem em aldeias situadas no Mato Grosso do Sul, no interior dos estados de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul e no litoral dos estados de São Paulo e Santa Catarina.

Os Mbya estão presentes no nordeste da Argentina e Uruguai. Também na região norte do país encontram-se essas famílias originárias de um grupo e que vieram ao Brasil após a Guerra do Paraguai. No litoral brasileiro suas comunidades são compostas por grupos familiares que, historicamente, procuram formar suas aldeias nas regiões montanhosas da Mata Atlântica.

Segundo alguns documentos, até as primeiras décadas do século XX, os Ñandeva formavam a maioria da população Guarani no litoral de São Paulo. A partir de levantamentos feitos a partir das décadas de 1960 e 1970, houve uma crescente visibilidade das aldeias que, na atualidade, comprova que os Mbya passaram a predominar numericamente, toda a faixa litorânea do Rio Grande do Sul ao Espírito Santo.

Nas pequenas aldeias onde os indivíduos de outro subgrupo estão presentes, estes passam a respeitar as regras e a adotam costumes e rituais do grupo local dominante. Mesmo se tratando de uma aldeia composta por famílias do mesmo subgrupo.

Os Mbya, dentre os grupos Guarani, vem ocupando áreas no litoral Atlântico, buscando yvy marãey “terra mal”, ou seja, um paraíso aonde para se chegar é preciso atravessar um obstáculo natural.

Os fatores da caracterização destes subgrupos Guarani residem nas divisões espaciais, em expressões linguísticas, em elementos da cultura material e nos rituais, nos quais há músicas e cantos específicos.

No Brasil a população Guarani é estimada em torno de 34.000 pessoas, entre os Kaiowa, Ñandeva e Mbya. No Paraguai a população está por volta de 21.000, entre os Pai Tavyterã / Kaiowa, Ñandeva e Mbya. Na Argentina a população Mbya é de aproximadamente 4.000 pessoas.

A estimativa citada baseia-se em dados da última década (Chase-Sardi, 1990; Melià, 1997; Dirección General de Asuntos Guaranis da Provincia de Misiones, 1997).

Existe atualmente uma dificuldade para classificar os Guarani, no caso dos Mbya, onde na aldeia está presente a teia de parentesco que se estende por todo o seu território, compreendendo as regiões onde se situam as suas comunidades, implicando uma dinâmica social que exige intensa mobilidade.
Há ainda outros aspectos, como o acesso a algumas aldeias ou moradias, dificuldades de obtenção de informações nas comunidades e, sobretudo, a aversão dos Guarani aos recenseadores, pois entendem, com razão, que a contagem trata-se de uma forma de controle do Estado.
Genealogias realizadas entre os Mbya revelam que a rede de parentesco se estende entre aldeias situadas em todas as regiões de seu território.

 
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Camila Pacheco
Da Redação
 
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