CÉLIO PAULO FERREIRA

Auto-renovação: a alternativa

 

Temos assistido, no conforto de nossa casa, no autêntico estilo high-tech o sofrimento do povo iraquiano, com infindáveis momentos de desespero, morte, perda e revolta. Como eu, pessoas de todo o mundo têm se indignado, solidárias às vítimas desse massacre, na região considerada berço da civilização.

Independentemente do (ir)responsável tirano por esta carnificina, assim como sua ridícula retórica de ataque preventivo, que poucas nações engoliram. O que mais se evidencia, sob todos os aspectos é a causa principal dessa insana estratégia de se apoderar do Iraque, e provavelmente com o tempo, de todo o Oriente Médio; o domínio das fontes de petróleo ali existentes, com sua cotação calculada em vidas humanas.

O mundo transforma-se muito rápido. Em apenas três décadas e meia, vi e vivi o suficiente para encher um livro, com fatos que entraram para a história da humanidade: a chegada do homem à lua, a televisão em cores, o rompimento da barreira do som, a queda do muro de Berlim, o fim da União Soviética e a passagem do Cometa Halley; a telefonia celular, o domínio da informática, a Internet (não perca o fôlego!), as cirurgias virtuais e transgenia; cientistas brincando de fazer cópias humanas, os atentado às torres gêmeas em Nova York e a mudança de século e de milênio. No entanto, não vislumbrei a menor possibilidade de o mundo se desvencilhar da armadilha montada pelo líquido que o move, em todos os sentidos. É muito estranho que após tamanhas conquistas, a humanidade tenha que depender única e exclusivamente de um único combustível, retirado de fontes primitivas, com iminente final proclamado. No auge do século XXI não seria capaz a inteligência humana de criar combustíveis de fontes alternativas e renováveis, para mover simples motores veiculares? Certamente sim.

Dezenas de projetos de motores movidos a hidrogênio, oxigênio e energias solar e elétrica, têm suas patentes compradas e, em alguma gaveta ou cofre, literalmente sepultadas. Pelo menos enquanto houver fontes de petróleo e seus “proprietários” a ditar as regras do capitalismo desumano, sujo e sangrento.

Nós, homens modernos, se desejamos mudar o rumo da história, precisamos deixar de nos enganar. Continuar aceitando a idéia de que o petróleo é único é tão ou mais primitivo que o próprio petróleo.

Antes de buscarmos alguma alternativa renovável, precisamos nos renovar, de corpo e alma. Arrancar de nós os preconceitos e estigmas, para dar lugar à criatividade, às mudanças e à independência.

Decidamos: lutamos por combustíveis alternativos, ou seremos nós a alternativa. Avanços tecnológicos continuarão ocorrendo, fatos históricos também. O petróleo continuará sendo importante, porém, deverá ele ser alternativo. Ou continuaremos contribuindo com as poderosas nações, catastróficos acidentes ambientais e alterações irreversíveis em nosso planeta. E mísseis de milhões de dólares continuarão sendo despejados. E milhares de crianças continuarão sendo mortas.

O conteúdo dos artigos publicados nesta seção não reflete necessariamente o ponto de vista da Agência Ambiental Pick-upau, sendo de inteira responsabilidade de seus autores.
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