PEDRO ISAL

O lixo dos outros é melhor que o nosso

 

Esse parece ser o conceito adotado pela Casa Civil da Presidência e pelo próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

Ao liberar, através de um decreto presidencial, a importação de pneus usados, o país abre as portas para a compra de lixo dos países membros do Mercosul e de países do Primeiro Mundo – o que já vinha acontecendo. Como se já não bastasse ter que engolir os absurdos impostos pelos países ricos, agora teremos, com o aval de um decreto, que convivermos com o resto que não serve para nossos vizinhos do Mercosul. A liberação para a importação de pneus usados recauchutados ou não, tem um aspecto demasiadamente lobbysta, impulsionado pelo Tribunal Arbitral do Mercosul, por países vizinhos e até empresas.

Será que já começou. O governo já estaria abrindo a porteira. O que o presidente Lula acha que vamos fazer com esses (restos) pneus. Será que Lula sabe que a vida útil de uma material nesta condição é quase 60% inferior ou que um produto desta natureza atrelado as péssimas condições de nossas estradas, da qual foram cortadas verbas para manutenção, podem levar a acidentes e até a morte de seus usuários. Será que o presidente sabe que ainda estamos engatinhado no processo de reciclagem comum, quem dera a de pneus – apesar de ter havido um aumento significativo nos últimos anos. Isso sem falar da dengue, uma prato, quer dizer um pneu cheio para o mosquito e uma epidemia. Que vantagem leva Maria nesta história. Quais são os benefícios para o Brasil, uma diferença na balança comercial. Que tipo de política é essa?

Quando nome de Marina Silva foi confirmado para o Ministério do Meio Ambiente, o setor “mais interessado” aplaudiu de pé, inclusive o que vos escreve. Mas de que adianta uma pessoa deste gabarito, se nem ao menos é consultada, afinal o ministério de Marina diz que a conversa ainda não está encerrada. Porém, o fato é que o decreto já saiu no Diário Oficial. Que o nosso excelentíssimo presidente da República pouco entendia de meio ambiente eu já desconfiava – apesar da indicação de Marina Silva, que parecia mais que óbvio –, mas começar desta forma é um mau presságio.

Além de termos que aceitar este desvario, somos obrigados a ter que descer goela abaixo uma explicação no mínimo, absurda. Uma das justificativas para a importação do produto de qualidade e procedência duvidosa é o custo mais baixo que o produto brasileiro e a qualidade superior.

A conta de tudo isso é muito simples, e ela não aparece na balança comercial: pneus usados têm tempo de vida útil reduzido, ou seja, vão para o lixo mais rápido. E o que fazemos com esse resíduo? Exportamos? Quem irá comprar nosso lixo? Afinal o lixo dos outros é melhor que o nosso.

O conteúdo dos artigos publicados nesta seção não reflete necessariamente o ponto de vista da Agência Ambiental Pick-upau, sendo de inteira responsabilidade de seus autores.
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